Microsoft reverte queda de 35% com Windows on Arm e fim da exclusividade da OpenAI

Entenda como o fim da exclusividade com a OpenAI, o Windows on Arm e as melhorias no Windows 11 impulsionaram a recuperação das ações da Microsoft.

Destaques
  • O fim da exclusividade com a OpenAI reduziu custos e abriu espaço para novas parcerias de IA.
  • A chegada do RTX Spark e as melhorias no Windows 11 consolidaram o Windows on Arm.
  • Apesar da recuperação, a bolha de investimentos em IA e o custo da memória ainda são riscos.

Após despencar mais de 35% desde a máxima histórica de US$ 555, alcançada em outubro de 2025, a ação da Microsoft iniciou um movimento de recuperação que chamou a atenção do mercado. Negociada a US$ 450,24 no fechamento de 29 de maio de 2026, a gigante de Redmond conseguiu se distanciar do fundo de US$ 356, registrado em abril, graças a uma combinação de fatores que incluem o fim do acordo de exclusividade com a OpenAI, a consolidação do Windows on Arm com a chegada do RTX Spark e melhorias estruturais no Windows 11. Apesar do fôlego, analistas apontam que as pedras no sapato — a bolha de investimentos em inteligência artificial e a escalada dos preços de memória — ainda não desapareceram.

O que levou as ações da Microsoft a caírem 35%?

A causa imediata do tombo foi o crescimento dos gastos com infraestrutura de IA. No segundo trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em janeiro, a Microsoft reportou despesas de capital de US$ 37,5 bilhões — um salto de 66% em relação ao mesmo período do ano anterior. O valor ficou bem acima das projeções dos analistas e, combinado com uma desaceleração na taxa de crescimento do Azure, provocou uma queda de aproximadamente 10% em um único dia, eliminando cerca de US$ 357 bilhões em valor de mercado — o pior desempenho diário desde março de 2020.

O mercado passou a questionar se o enorme fluxo de caixa direcionado à IA (que, para todo o ano fiscal de 2026, deve ficar entre US$ 110 bilhões e US$ 120 bilhões) trará retorno no curto prazo. Relatos de que a OpenAI não atingiu metas de receita e usuários reacenderam o debate sobre a bolha do setor. O resultado foi um primeiro trimestre de 2026 com queda de 25%, a maior contração em um único trimestre em vinte anos, e a compressão do múltiplo Preço/Lucro de 30 vezes para 22 vezes.

Três pilares da reversão: fim da exclusividade, Windows on Arm e qualidade do sistema

Fim do pacto de exclusividade com a OpenAI

Em 27 de abril de 2026, Microsoft e OpenAI anunciaram a dissolução do contrato de fornecimento exclusivo na nuvem. A partir daquele momento, a OpenAI passou a poder oferecer seus modelos também via AWS e Google Cloud, e a Microsoft foi liberada da obrigação de pagar as taxas de licenciamento conhecidas como “revenue share”. A medida reduziu os custos operacionais da Microsoft e abriu espaço para que a empresa diversificasse suas parcerias de IA. O Copilot, por exemplo, já começou a integrar o modelo Claude, da Anthropic, e a Microsoft confirmou que seu modelo próprio, o Phi, buscará atingir o estado da arte até 2027. O mercado interpretou a redução do risco de dependência de um único fornecedor como um sinal positivo.

Windows on Arm ganha corpo com RTX Spark e Surface Laptop Ultra

Durante a Computex, no início de junho, a NVIDIA apresentou o chip RTX Spark, projetado especificamente para o Windows on Arm, e a Microsoft mostrou o Surface Laptop Ultra. O evento teve impacto imediato: as ações da Microsoft subiram cerca de 3% no dia do anúncio. Com o fim da exclusividade da Qualcomm, a NVIDIA entrou de imediato no ecossistema, e OEMs como Dell, HP, Lenovo, ASUS e MSI anunciaram lançamentos para o outono do hemisfério norte. A transição do Windows on Arm de “experimento” para “linha de produto consolidada” gerou expectativa de um ciclo de renovação de hardware corporativo e consumidor. Em contraste, as ações da AMD e da Intel recuaram levemente.

Projeto K2: Microsoft ataca anos de reclamações sobre o Windows

Internamente, desde o segundo semestre de 2025, a Microsoft executa o plano batizado de “K2”, que foca em melhorias concretas na experiência do usuário do Windows 11. Entre os resultados já divulgados estão a redução de 60% no tempo de inicialização, diminuição do consumo de memória e uma reformulação do menu Iniciar para eliminar a poluição visual causada por anúncios excessivos. No dia 9 de junho de 2026, uma atualização começou a levar essas melhorias para o público geral. A aposta em fortalecer o sistema operacional ao mesmo tempo que se avança no hardware é vista como um movimento estratégico de médio prazo, especialmente com a iminente unificação entre Xbox e PC.

Os riscos que ainda pesam sobre a recuperação

Apesar dos ventos favoráveis, a sombra da bolha de IA continua presente. Estima-se que os gastos combinados das big techs com infraestrutura de IA cheguem a US$ 725 bilhões em 2026, e ninguém consegue afirmar com precisão quando o retorno sobre esse investimento se materializará. Esse cenário mantém o mercado em alerta.

Outro ponto sensível é o custo da memória. A especulação em torno do Surface Laptop Ultra com RTX Spark sugere que o dispositivo pode custar a partir de US$ 2.999,99 — um valor elevado, impulsionado pela inclusão de 128 GB de memória unificada. Se o preço final afastar os consumidores, a tese do ciclo de renovação impulsionado pelo Windows on Arm perde força.

O próximo teste decisivo será o balanço do terceiro trimestre fiscal, marcado para 28 de julho. Para sustentar a recuperação, a Microsoft precisará mostrar que o crescimento do Azure voltou a acelerar. Sem números que justifiquem os investimentos maciços, o mercado pode voltar a pressionar o papel.

A reversão começou, mas os alicerces ainda são feitos de expectativa — e expectativa, como se sabe, pode se desfazer tão rápido quanto se formou.

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