Otavio Castello Branco, o executivo que construiu e liderou o negócio de infraestrutura do Pátria Investimentos, faleceu no último domingo em Nova York. Ele tinha 67 anos e sofreu complicações de um infarto ocorrido duas semanas antes. A notícia foi confirmada por familiares e colegas próximos.
Carreira no mercado financeiro e chamado para o BNDES
Formado em engenharia pela Escola Politécnica da USP, Otavio Castello Branco construiu uma sólida carreira no mercado financeiro. Entre 1983 e 2001, teve duas longas passagens pelo Chase Manhattan/JP Morgan, chegando a presidir a operação brasileira do banco. Também atuou como CFO da CAEMI, então uma gigante do setor de mineração, entre 1990 e 1995. Sua trajetória, no entanto, tomou um rumo decisivo em 2001, durante a crise do apagão energético.
O papel crucial na crise do apagão
No auge da crise energética que ameaçava paralisar o país, Otavio aceitou o chamado do governo Fernando Henrique Cardoso para assumir a diretoria de infraestrutura e energia do BNDES e uma cadeira no Comitê de Crise Energética. Seu trabalho durante esse período crítico foi fundamental para a estabilização do setor e lhe rendeu uma condecoração com a Ordem de Rio Branco, além do apelido carinhoso de “comendador” entre amigos e colegas.
A construção do braço de infraestrutura do Pátria
Após superar a crise energética, em 2003, Otavio recebeu um convite de Olímpio Matarazzo, chairman do Pátria Investimentos e amigo de infância, para integrar a equipe da gestora. Inicialmente atuando na área de fusões e aquisições, em 2006 assumiu o comando da vertical de infraestrutura e energia, que mudaria definitivamente o patamar do Pátria no mercado.
Legado empresarial e projetos transformadores
Sob sua liderança, o Pátria se tornou uma referência em investimentos em infraestrutura. Otavio ajudou a fundar a ERSA, empresa de energias renováveis posteriormente adquirida pela CPFL, foi chairman da Hidrovias do Brasil e conselheiro da Ultrapar. “Tudo o que fazemos hoje na área de infra começou com a visão e iniciativa do Otavio. Sua veia empreendedora permitiu que muitos projetos fossem desenvolvidos”, afirmou Olímpio Matarazzo em entrevista ao Brazil Journal.
Desaceleração recente e novos investimentos pessoais
No final de 2024, Otavio Castello Branco havia começado a desacelerar sua atuação profissional, deixando o Pátria Investimentos para curtir mais a vida. Com mais tempo livre, dividia sua agenda entre Brasil, Estados Unidos e Portugal, onde mantinha uma residência. Entre seus investimentos pessoais mais recentes estavam negócios de ovos orgânicos e produtos esportivos, incluindo roupas de tênis e suplementos alimentares.
Vida pessoal e paixões além dos negócios
Conhecido por sua devoção à família, Otavio era casado com Luciana, com quem teve quatro filhos e cinco netas. Além da vida familiar, cultivava diversas paixões esportivas: era ciclista, tenista e judoca, mantendo uma rotina ativa mesmo fora do ambiente corporativo. Também se destacava como apreciador de vinhos, demonstrando um refinado paladar que complementava seu perfil multifacetado.
A trajetória de Otavio Castello Branco deixa um legado que transcende os números e contratos, mostrando como visão estratégica, capacidade de execução e paixão pelo que se faz podem transformar não apenas empresas, mas setores inteiros da economia. Sua atuação durante momentos críticos para o país e sua capacidade de construir algo duradouro no setor privado servem como referência para novas gerações de empreendedores e executivos brasileiros.

