Seguro no Brasil cresce 9,5% em 2025 e fragmentação global acelera

Relatório da Allianz Research mostra alta robusta no setor, puxada por saúde e vida.

Crescimento de 9,5% no mercado de seguros brasileiro em 2025, com 88 bilhões de euros em prêmios.
Destaques
  • O seguro Saúde lidera a expansão global, com alta de 12,3% nos prêmios em 2025.
  • A Ásia, com destaque para a China, resurge como motor de crescimento no seguro de Vida.
  • No Brasil, o consumidor deve ficar atento aos reajustes e à portabilidade de carências.

O mercado brasileiro de seguros registrou em 2025 um crescimento robusto de 9,5%, com o total de prêmios — valor que corresponde às mensalidades pagas pelos segurados — atingindo 88 bilhões de euros. Os dados fazem parte do mais recente Relatório Global de Seguros da Allianz Research, que aponta o Brasil como um dos mercados emergentes mais dinâmicos do setor, impulsionado pela demanda crescente por proteção financeira privada em um cenário de fragmentação econômica global.

Crescimento global do setor de seguros em 2025

Em nível mundial, o setor de seguros cresceu 7,1% em 2025, alcançando 6,9 trilhões de euros e adicionando 456 bilhões de euros ao volume total de prêmios. Embora o ritmo tenha sido inferior aos excepcionais 9,4% registrados em 2024, o resultado permaneceu acima da taxa média anual composta (CAGR) de 10 anos, de 5,6%. O segmento de Vida continua sendo o maior, com 2,861 trilhões de euros, seguido por Ramos Elementares (P&C), com 2,320 trilhões de euros, e Saúde, com 1,688 trilhão de euros.

Ramos Elementares (P&C) e a normalização da precificação

O mercado de Ramos Elementares, que inclui seguros de automóveis, residenciais e empresariais, está migrando do boom de precificação para a normalização. Os prêmios globais desse segmento cresceram 3,8% em 2025, bem abaixo da expansão de 8,5% do ano anterior, à medida que os ciclos de precificação amadureceram e a inflação de sinistros começou a se estabilizar. A América do Norte responde por 52% dos prêmios globais, embora o crescimento tenha desacelerado para 2,2%. Na Europa Ocidental, a alta foi de 5,3%, enquanto a Ásia expandiu 4,0%.

Seguro de Vida: moderação após boom nos juros

O seguro de Vida manteve-se robusto, com crescimento global de 6,9% em 2025, abaixo dos 11,3% de 2024, mas ainda acima das taxas históricas. O boom de anuidades na América do Norte perdeu força, e a Ásia ressurgiu como principal motor de crescimento, com alta de 9,9% nos prêmios. A China expandiu 11,4%, impulsionada pelo envelhecimento demográfico, altas taxas de poupança e sistemas de previdência pública menos abrangentes.

Seguro Saúde: a história de crescimento estrutural mais clara

Os prêmios globais de seguro Saúde aumentaram 12,3% em 2025, a maior expansão desde 2014. O envelhecimento das populações, o aumento dos custos médicos e a pressão sobre os sistemas públicos de saúde continuam a impulsionar a demanda por proteção privada. A América do Norte cresceu 14,9%, com os EUA respondendo por mais de 70% dos prêmios globais. O potencial de longo prazo é particularmente forte na Ásia, onde a penetração do seguro saúde ainda está abaixo de 1% em quase todos os mercados.

Brasil: crescimento amplo sustentado pela demanda por proteção

O mercado brasileiro de seguros cresceu 9,5% em 2025, atingindo 88 bilhões de euros em prêmios totais. O segmento de Ramos Elementares (P&C) expandiu 7,8%, o seguro de Vida cresceu 8,6%, e os prêmios de seguro Saúde subiram 10,4%. Esse desempenho reflete a busca contínua dos brasileiros por proteção financeira privada diante de um ambiente econômico ainda incerto.

Fragmentação geopolítica e novas oportunidades de risco

A geopolítica e a fragmentação global estão se tornando forças centrais que moldam o setor de seguros. Uma economia mais dispersa torna os ambientes de risco mais complexos, desafiando modelos de negócios transfronteiriços e enfraquecendo os benefícios tradicionais de diversificação. Ao mesmo tempo, a fragmentação cria novas oportunidades de crescimento, ao aumentar a demanda por proteção em áreas como infraestrutura, segurança energética e seguro de risco político. As seguradoras precisam se adaptar com modelos operacionais regionalmente resilientes, integrando a análise geopolítica à subscrição e ao desenvolvimento de produtos voltados para riscos emergentes.

Segundo Ludovic Subran, economista-chefe e Chief Investment Officer do Grupo Allianz, “a fragmentação geopolítica está revertendo muitas premissas que moldaram a economia global por décadas. À medida que comércio, fluxos de capital e regulação se fragmentam, a resiliência substitui a eficiência como princípio organizador dominante. Nada menos do que a importância estratégica dos seguros está em jogo: não apenas como mecanismo de transferência de risco, mas como habilitador crítico de investimento, inovação e confiança econômica.”

Perspectivas para o Brasil e o mundo até 2036

A Allianz Research projeta que o mercado global de seguros cresça a uma taxa anual de 5,3% na próxima década, ligeiramente acima do crescimento econômico. Para o Brasil, a expectativa é de aumento anual de 6,6% nos prêmios totais, acima do PIB nominal projetado em 5,1%. Para Ramos Elementares, a projeção é de 5,5% ao ano no Brasil (global: 4,7%). O seguro de Vida brasileiro deve avançar 11,4% ao ano, impulsionado pelo ambiente de juros mais altos e pela necessidade de previdência privada. O seguro Saúde brasileiro deve crescer 5,8% ao ano, ritmo inferior ao do mercado global (6,7%), mas ainda significativo.

Em termos absolutos, o pool global de prêmios crescerá 5,260 trilhões de euros nos próximos dez anos. A maior parte virá do seguro de Vida (1,991 trilhão de euros), com mais da metade desse adicional gerado na Ásia ampliada (1,004 trilhão de euros), superando América do Norte (416 bilhões) e Europa Ocidental (402 bilhões) combinadas. No seguro Saúde, são esperados prêmios adicionais de 1,764 trilhão de euros, majoritariamente do mercado americano.

O mapa global de seguros continuará se deslocando para o leste de forma gradual. Espera-se que a América do Norte mantenha cerca de 46% de participação global até 2036. Índia e China devem ganhar relevância, somando juntas quase 4 pontos percentuais de participação. A Europa Ocidental continuará perdendo peso relativo, embora de forma mais lenta que na última década.

O que esse cenário significa para o consumidor brasileiro

Para quem contrata ou renova seguros no Brasil, os dados da Allianz Research indicam que o setor continuará se expandindo, com mais oferta de produtos e possivelmente maior concorrência. No seguro Saúde, a alta de 10,4% nos prêmios em 2025 reflete a pressão contínua dos custos médicos — fator que deve ser considerado ao avaliar reajustes anuais e a necessidade de coparticipação. No seguro de Vida, o forte crescimento projetado (11,4% ao ano) sinaliza que as seguradoras estão apostando na expansão desse mercado, o que pode trazer opções mais diversificadas de cobertura e prazos. Já nos seguros de Ramos Elementares (auto, residencial, empresarial), a normalização da precificação global pode significar reajustes mais moderados nos próximos anos, desde que a inflação de sinistros se mantenha estável.

O que o consumidor deve verificar na sua apólice ou plano atual? É recomendável revisar periodicamente as coberturas contratadas, comparar prêmios entre seguradoras e avaliar se a proteção ainda está alinhada ao seu perfil de risco e orçamento. No caso de planos de saúde, fique atento aos índices de reajuste aplicados pela operadora e aos prazos de carência e portabilidade de carências previstos pela ANS. Para seguros de vida, verifique se o capital segurado é suficiente para proteger sua família e se há cláusulas de atualização monetária. Manter um diálogo aberto com um corretor de seguros de confiança ajuda a tomar decisões mais informadas em um mercado que, como mostram os dados, segue em expansão.

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