Após mais de duas décadas e meia dedicadas à tecnologia que impulsionou inúmeros jogos, Sjoerd De Jong deixou a Epic Games. Em uma publicação no LinkedIn, o desenvolvedor confirmou que sua última semana na empresa foi na semana passada, encerrando um ciclo de 12 anos como funcionário e 27 anos de envolvimento direto com a Unreal Engine. A saída de um dos nomes mais antigos e respeitados da comunidade da engine marca o fim de uma era para a Epic e para o desenvolvimento de jogos.
Sjoerd De Jong deixa Epic Games: dos mapas artesanais ao cargo de evangelista principal
A história de De Jong com a Unreal Engine começou em 1998, quando ele tinha apenas 15 anos e criava mapas para o primeiro Unreal. Seu talento como modder chamou a atenção da Epic Games, que o convidou para trabalhar em Unreal Tournament 2004. Foi ali que ele desenvolveu dois dos mapas mais icônicos da série: DM-Rankin e ONS-Torlan. DM-Rankin, em particular, tornou-se o mapa mais jogado de UT2004 de todos os tempos, segundo estatísticas de servidores compiladas no wiki da comunidade Unreal. Antes de ingressar oficialmente na Epic em 2014, De Jong acumulou experiência em diversos estúdios, incluindo Starbreeze, onde trabalhou em Killzone, e sua própria empresa independente, a Teotl Studios, responsável pelo jogo The Ball. Seu site pessoal lista dezenas de projetos que mostram a evolução de seu trabalho com a engine ao longo dos anos.
Quando finalmente se juntou à Epic Games, De Jong foi contratado como “evangelista principal” (lead evangelist) da Unreal Engine. O título refletia sua função de promover a engine entre desenvolvedores do mundo inteiro, visitando centenas de estúdios, realizando palestras técnicas e oferecendo suporte direto a milhões de criadores. Na própria postagem de despedida, ele descreveu a experiência como transformadora: “Dezenas de países visitados, centenas de estúdios visitados, centenas de palestras apresentadas, dezenas de milhares de pessoas conhecidas e milhões de desenvolvedores apoiados todos os anos.” Mais recentemente, ele ocupava o cargo de diretor sênior de um projeto não anunciado, posição que manteve até sua saída.
Por que Sjoerd De Jong decidiu sair agora?
Em seu comunicado, De Jong explicou que “é hora de seguir em frente” e que a indústria de jogos está passando por um “ponto pivotal”. Ele escreveu: “A indústria de jogos sempre foi uma indústria onde a mudança é implacável e inevitável, mas parece que estamos alcançando um ponto de virada agora, com uma mistura potente de fatores.” O desenvolvedor não detalhou os motivos específicos, mas indicou que deseja “aceitar para onde a indústria está indo” e enfrentar os “desafios e oportunidades” que surgem nesse novo cenário. A saída acontece em um momento de grandes transformações no mercado de games, com cortes de empregos, reestruturações e mudanças tecnológicas aceleradas, como a ascensão da inteligência artificial e a consolidação de engines concorrentes.
Qual o legado de Sjoerd De Jong na Unreal Engine?
Sjoerd De Jong foi um dos primeiros modders a transformar sua paixão em carreira. Aos 15 anos, ele já criava mapas para o Unreal original de 1998. Seu design para DM-Rankin se tornou o mapa mais jogado de Unreal Tournament 2004, e ONS-Torlan é referência até hoje. Ao longo de 27 anos, ele trabalhou em títulos como Killzone e The Ball, antes de se tornar o principal evangelista da Unreal Engine na Epic Games, influenciando milhões de desenvolvedores ao redor do mundo — incluindo no Brasil, onde a engine é amplamente adotada em cursos, estúdios independentes e grandes produções. Sua trajetória ilustra como a comunidade de modding pode alimentar diretamente a indústria profissional.
O futuro de De Jong e os desafios da indústria
De Jong encerrou sua postagem com um tom aberto e curioso: “Vamos ver onde vamos parar.” Ele afirmou que espera “aceitar para onde a indústria está indo” e se preparar para os desafios que virão. Embora não tenha revelado seus próximos passos, sua experiência de 27 anos com a Unreal Engine — somada ao conhecimento acumulado em estúdios de diferentes portes — o coloca como uma figura capaz de influenciar o desenvolvimento de novas ferramentas, engines ou até mesmo iniciativas educacionais. A saída de um profissional tão integrado à história da Unreal Engine levanta questões sobre o momento atual da Epic Games e sobre como a empresa manterá sua liderança técnica em um mercado cada vez mais competitivo.
Com sua saída, a indústria perde um dos seus maiores entusiastas técnicos, mas De Jong deixa claro que sua jornada com a Unreal Engine está longe de terminar. Resta saber qual será seu próximo passo em um cenário que ele mesmo ajudou a construir.

