A Superintendência de Seguros Privados (Susep) marcou presença no Blockchain Rio 2026 para discutir o futuro da regulação financeira no Brasil. O superintendente Alessandro Octaviani participou de painel focado em regras de mercado, avanço tecnológico e os desafios da agenda econômica nacional. O encontro, organizado pela Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac), reuniu reguladores e especialistas para explorar os impactos das inovações sobre o sistema financeiro.
Proteção do investidor e ambiente de testes regulatórios
Octaviani dividiu o palco com Marina Copola, diretora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e outras autoridades do governo. Rodrigo Henriques, diretor de Inovação e Estratégia da Fenasbac, moderou o debate. O grupo discutiu o equilíbrio entre a abertura para testes operacionais — como sandboxes regulatórios — e a defesa dos consumidores.
Os palestrantes enfatizaram a necessidade de convergência entre as instituições públicas brasileiras. O alinhamento entre Susep, CVM e Banco Central consolida o país como referência em regras financeiras voltadas à inovação, especialmente em tokenização, blockchain e moedas digitais.
Drex: a aposta do regulador e o cenário atual
Em reunião anterior com o Banco Central, Octaviani já havia demonstrado confiança no projeto Drex, a moeda digital brasileira. Na ocasião, afirmou que, após o Drex entrar em funcionamento, apenas uma criptomoeda teria espaço no Brasil — referindo-se à própria moeda digital do banco central. Passados quase três anos, o Drex ainda não se estabeleceu plenamente, enquanto o mercado brasileiro mantém uma das maiores taxas de adoção de criptomoedas e stablecoins do mundo.
Por que o Drex ainda não decolou?
O projeto enfrenta desafios técnicos e regulatórios. Diferente das stablecoins atreladas ao dólar ou das criptomoedas descentralizadas, o Drex é uma moeda digital de banco central (CBDC) que exige infraestrutura bancária, conformidade legal e aceitação do mercado. A lentidão na implementação reflete a complexidade de equilibrar controle estatal com inovação aberta.
Blockchain Rio como palco do debate público
O palco Gov Stage do Blockchain Rio, maior evento do setor na América Latina, trouxe discussões sobre tokenização, blockchain e o papel do setor público. O evento mostrou que, apesar do atraso do Drex, o governo brasileiro acompanha de perto as inovações. A participação da Susep e da CVM sinaliza que a regulação está se adaptando, mas ainda busca o ponto ideal entre fomento à tecnologia e proteção do investidor.
O que esperar da regulação brasileira para blockchain?
Nos próximos anos, o Brasil deve avançar em marcos legais para tokens, stablecoins e ativos digitais. A convergência entre Susep, CVM e Banco Central indica que o país caminha para um ambiente regulatório integrado. O desafio será garantir que as regras não sufoquem a inovação, especialmente diante da alta adoção de criptomoedas pela população.
O mercado segue atento aos próximos movimentos do governo. A participação de Octaviani no Blockchain Rio reforça que a agenda regulatória está sendo discutida abertamente com o ecossistema. Se o Drex conseguirá cumprir a promessa de ser a única criptomoeda do Brasil, ou se o país continuará abrigando um mercado plural de ativos digitais, é uma questão que só o tempo — e as próximas edições do evento — poderão responder.
