O Catar assumiu a mediação entre Irã e Estados Unidos em uma nova rodada de negociações por propostas de paz, com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, confirmando que as condições foram apresentadas a Washington por intermédio de Doha. A informação foi divulgada nesta segunda-feira durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, onde Araqchi se reuniu com o primeiro-ministro catariano Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al-Thani. O movimento ocorre em meio à escalada de tensões no Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico para o fluxo global de petróleo.
Mediação do Catar: propostas de paz entre Irã e EUA
O Irã discutiu com os mediadores do Catar um conjunto de propostas que serão formalmente entregues aos EUA, e agora aguarda a resposta final de Washington por meio do canal diplomático catariano. Araqchi afirmou que o país também informou aos norte-americanos e à comunidade internacional as condições estabelecidas pelo líder supremo iraniano para a reabertura do Estreito de Ormuz, sem revelar detalhes específicos. A reabertura da via marítima é uma exigência central para qualquer avanço nas negociações, uma vez que o estreito é responsável por cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo.
“Se os norte-americanos afirmam que estão buscando um acordo ou uma solução pacífica, nós apresentamos essa solução”, declarou Araqchi em entrevista coletiva. A fala reforça a posição iraniana de que a iniciativa parte de Teerã, enquanto Washington ainda não respondeu formalmente às condições impostas. O Catar, que mantém relações diplomáticas com ambos os lados, atua como intermediário desde o início da crise, aproveitando sua posição geopolítica estratégica no Golfo Pérsico.
A reunião em Nova York ocorreu à margem da Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026, e sinaliza que as potências ainda buscam uma saída diplomática para o conflito. O Estreito de Ormuz tornou-se o principal ponto de atrito depois que o Irã bloqueou parcialmente a passagem de navios petroleiros em retaliação a sanções econômicas. A mediação do Catar, portanto, não é apenas um exercício diplomático, mas uma tentativa de evitar uma crise energética global que poderia impactar diretamente os preços dos combustíveis e a estabilidade de mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Analistas destacam que a exigência iraniana de reabertura do estreito está atrelada a garantias de segurança e alívio de sanções, enquanto os EUA condicionam qualquer acordo à verificação do desmantelamento de programas nucleares e de mísseis balísticos. A próxima etapa dependerá da resposta de Washington, que deve ser transmitida por Doha nas próximas semanas. Caso haja avanço, o Catar consolidará seu papel como hub de mediação no Oriente Médio, rivalizando com outras iniciativas lideradas por Omã e pelo Kuwait.

