Justiça americana indicia fundador de plataforma NFT por fraude de US$ 10 milhões

Taj Tarsha, fundador do Few and Far, é acusado de desviar US$ 10 milhões de investidores para luxo pessoal e cassinos.

Indiciamento nos EUA revela esquema de desvio de recursos de investidores em plataforma NFT.
Destaques
  • Taj Tarsha usou os US$ 10 milhões para comprar apartamento de luxo em Miami e apostar em cassinos online.
  • A auditoria revelou que a Few and Far demitiu quase todos os funcionários de tecnologia e rompeu contratos.
  • Investidores brasileiros devem redobrar a atenção com promessas de retorno fácil em projetos cripto.

A justiça dos Estados Unidos indiciou o fundador de uma plataforma de NFTs sob a acusação de comandar uma fraude de US$ 10 milhões contra dezenas de investidores. Taj Tarsha, criador do projeto Few and Far, foi denunciado no distrito sul de Nova York na quarta-feira (5). O dinheiro captado para construir um mercado de tokens custeou uma rotina de luxo na Flórida, incluindo apartamento de alto padrão em Miami, apostas em cassinos virtuais e um estúdio musical.

Ao menos 67 pessoas físicas e jurídicas compraram direitos futuros sobre criptoativos nativos do Few and Far. Os contratos garantiam o desenvolvimento contínuo de uma interface para negociação de tokens, mas os aportes foram desviados para contas pessoais e atividades sem relação com o projeto.

Como funcionava o esquema de fraude do projeto Few and Far

Logo após o recebimento dos aportes, Tarsha passou a mover o capital para cassinos online e a adquirir criptomoedas de altíssimo risco. Ele também criou metas de vendas falsas para justificar saques de quase US$ 1 milhão dos cofres da empresa, sempre escondendo as transferências dos sócios e de um dos criadores da organização, que já enfrentava processo de falência.

Em conversas privadas, o fundador admitiu que não via sentido em pagar salários altos em uma empresa sem produtos funcionais. As receitas zeradas não impediram a dilapidação sistemática dos recursos dos investidores.

Fraude de US$ 10 milhões exposta por auditoria independente

Uma auditoria encomendada em junho do ano passado revelou que a cúpula da Few and Far demitiu quase todos os funcionários da área de tecnologia e rompeu contratos vigentes. Apenas um prestador de serviços foi mantido para simular algum progresso nas ferramentas de negociação.

Os desvios duraram mais de doze meses, com gastos direcionados para apartamento de luxo, decoração de interiores e equipamentos de estúdio musical. Tarsha também usava o dinheiro para bancar o passatempo de produtor de festas. O token FAR, criado às pressas para tentar cumprir promessas, despencou para cotações próximas de zero pouco tempo após ser listado em corretoras limitadas.

O que é uma plataforma NFT e por que exige cautela?

Uma plataforma NFT é um ambiente digital para criar, comprar e vender tokens não fungíveis, que representam a propriedade de ativos digitais. O risco aumenta quando a empresa promete retornos sem apresentar produto acabado, equipe técnica sólida ou relatórios financeiros transparentes.

Antes de investir, é fundamental auditar o histórico da equipe e a utilidade do token. Projetos que mantêm comunicação vaga e evitam prestar contas devem ser encarados com desconfiança. Alguns sinais de alerta incluem:

  • Promessas de retorno fixo ou valorização garantida.
  • Desvio de recursos para contas pessoais ou cassinos.
  • Falta de relatórios financeiros e de progresso técnico.

O impacto da fraude para o investidor brasileiro

Investidores brasileiros estão entre os mais ativos no mercado cripto e podem ser especialmente afetados por golpes internacionais. A regulamentação das criptomoedas no Brasil ainda está em estágio inicial, o que dificulta o ressarcimento e exige um nível maior de diligência na escolha de projetos.

A fraude do Few and Far serve como alerta para a necessidade de exigir entregas concretas e acompanhar o desenvolvimento da plataforma. Projetos sérios geralmente publicam documentos técnicos detalhados e mantêm canais abertos com a comunidade.

O caso Taj Tarsha ainda pode estabelecer precedentes significativos para a responsabilização de fundadores de startups cripto. Para quem investe no Brasil, a lição mais valiosa é desconfiar de promessas de valorização rápida e cobrar transparência real antes de qualquer aporte.

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