Nasdaq despenca 2,2% com vendas de tecnologia e semicondutores

Pressionado pelo setor de tecnologia, o Nasdaq liderou as perdas em Wall Street com recuo de 2,22% nesta terça-feira.

O Nasdaq caiu 2,22% com vendas em tecnologia e semicondutores, reacendendo temores de bolha de IA.
Destaques
  • O Nasdaq recuou 2,22% liderado por perdas em tecnologia e semicondutores, como Micron e Seagate.
  • O Bank of America revisou e agora prevê três altas de 0,25 ponto percentual nos juros do Fed em 2025.
  • O PMI industrial dos EUA subiu a 55,7 em junho, o maior nível desde maio de 2022.

Os índices de Wall Street fecharam em queda nesta terça-feira (23), com o Nasdaq liderando as perdas ao recuar 2,22%, pressionado por uma onda de vendas nos setores de tecnologia e semicondutores. O movimento estendeu o pessimismo da véspera e reacendeu entre os investidores o debate sobre os riscos de uma bolha no segmento de inteligência artificial (IA), enquanto o mercado ajusta as expectativas para juros mais altos nos Estados Unidos.

O Dow Jones caiu 0,09%, aos 51.666,84 pontos, e o S&P 500 recuou 1,44%, para 7.365,46 pontos. O índice Nasdaq, fortemente exposto a empresas de tecnologia, fechou aos 25.587,039 pontos. O mau humor foi alimentado por um movimento generalizado de realização de lucros e pela cautela antes da divulgação do Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE) de maio, marcada para quinta-feira (25) — dado de inflação preferido do Federal Reserve para calibrar a política monetária.

Pressão sobre tecnologia e semicondutores

As ações do setor de tecnologia estenderam as perdas do dia anterior. A Alphabet caiu 1%, um dia após tombo de 5%. Entre as fabricantes de chips, a pressão foi ainda mais intensa: a Micron Technology recuou 11%, a Seagate Technology desabou 12% e a Intel registrou baixa de 4%. O movimento ganhou força após o índice sul-coreano Kospi cair com a forte desvalorização de 12% da SK Hynix, principal fornecedora de chips de memória e termômetro do trade de inteligência artificial na Ásia. As bolsas europeias também acompanharam o movimento, com o setor de tecnologia recuando mais de 3%.

No front macroeconômico, a S&P Global informou que o Índice de Gerentes de Compras (PMI) preliminar do setor manufatureiro dos EUA subiu para 55,7 em junho, o maior nível desde maio de 2022, ante 55,1 em maio. O resultado veio acima da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que previam queda para 54,8. O dado reforçou a percepção de uma economia resiliente, o que pode dar ao Fed mais espaço para manter juros elevados por mais tempo.

Projeções de juros e geopolítica

O Bank of America (BofA) revisou seu cenário para os Estados Unidos e passou a incorporar três altas de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Fed ainda em 2025. A expectativa de juros mais altos tends a pressionar as ações de crescimento, especialmente as de tecnologia, cujo valor futuro depende de fluxos de caixa descontados a taxas mais baixas.

No campo geopolítico, as declarações contraditórias entre Estados Unidos e Irã sobre a visita de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) mantiveram o mercado atento, mas os preços do petróleo recuaram com a normalização da passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. O presidente Donald Trump afirmou que não há urgência para o envio de inspetores ao Irã, mas reiterou que Teerã acabará permitindo o acesso às suas instalações nucleares. O governo iraniano, porém, negou ter autorizado novas inspeções, contradizendo a versão de Washington.

O que o investidor brasileiro deve acompanhar

Para o investidor brasileiro, o movimento de Wall Street reforça a necessidade de atenção aos próximos dados de inflação americana. O PCE de maio pode confirmar ou aliviar as expectativas de juros mais altos nos EUA, o que impacta diretamente o câmbio (dólar x real) e a atratividade de ativos de risco, incluindo o Ibovespa. Com o Fed sinalizando juros elevados por mais tempo (conforme indicado pelo BofA), a renda fixa americana ganha competitividade, podendo reduzir o fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes como o Brasil. Acompanhar o dado do PCE na quinta-feira e as falas de dirigentes do Fed será essencial para calibrar expectativas e ajustar posições em carteira.

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