Em mais uma etapa da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal realizou apreensões milionárias de bens de luxo que seriam fruto de um esquema organizado de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social. A ação, batizada de Indébito, revelou um modus operandi sofisticado que desviava recursos de aposentadorias e pensões de beneficiários em todo o país.
Desdobramento da Operação Sem Desconto apreende patrimônio de suspeitos
Na terça-feira, 17 de setembro, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão que resultaram na apreensão de dinheiro em espécie, bolsas de grife, joias de alto valor e veículos luxuosos. As imagens divulgadas pela PF mostram pilhas de notas de real, relógios caros, acessórios de marcas internacionais e carros de modelos premium, evidenciando o padrão de vida elevado mantido pelos investigados.
Ex-presidente do INSS recebeu R$ 4 milhões de organização criminosa
De acordo com decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, recebeu aproximadamente R$ 4 milhões de uma organização criminosa especializada em fraudes contra o sistema previdenciário. Os pagamentos ocorreram entre abril de 2024 e janeiro de 2025, sendo efetuados através de contas vinculadas à advogada Cecília Rodrigues Mota, uma das líderes apontadas do esquema.
Advogada e empresário são presos durante operação
A operação resultou na prisão do empresário Natjo de Lima Pinheiro e da advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de associações de aposentados no Ceará. As investigações indicam que ambos atuavam como peças-chave na estrutura criminosa, coordenando os descontos indevidos em benefícios previdenciários e gerenciando o fluxo financeiro ilícito.
Deputada federal recebe tornozeleira eletrônica por determinação do STF
A deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) foi alvo de medidas cautelares durante a operação. Por decisão do ministro André Mendonça, a parlamentar passou a utilizar tornozeleira eletrônica para monitoramento de seus deslocamentos. A medida preventiva foi determinada como forma de garantir o andamento das investigações sem interferências.
Esquema utilizava escritório de advocacia para repasses financeiros
Os repasses ao ex-presidente do INSS eram realizados através do escritório do advogado Eric Douglas Martins Fidélis, conforme documentos analisados pelo ministro do STF. Esta estrutura demonstra o nível de organização e sofisticação do esquema criminoso, que utilizava profissionais do direito para dar aparência de legalidade às transações financeiras irregulares.
As investigações continuam em andamento, com a Polícia Federal analisando documentos apreendidos e rastreando a movimentação financeira dos envolvidos. As operações contra fraudes no INSS têm se intensificado nos últimos anos, revelando prejuízos bilionários aos cofres públicos e impactando diretamente milhares de beneficiários que tiveram seus direitos previdenciários violados.

