Em um cenário de volatilidade e busca por segurança nos investimentos, as ações pagadoras de dividendos continuam sendo um dos principais focos de investidores e analistas do mercado brasileiro. Um levantamento exclusivo do InfoMoney, que compilou as carteiras recomendadas pelos principais bancos e corretoras do país, identificou sete empresas que se destacam neste mês de março pela combinação entre pagamento consistente de proventos e fundamentos sólidos.
Petrobras mantém liderança com geração robusta de caixa
A Petrobras (PETR4) segue como a ação mais indicada pelas casas de análise, recebendo recomendações de sete instituições diferentes. Com dividend yield de 9,07% nos últimos 12 meses, a petroleira chama atenção pelo seu baixo custo de extração, que sustenta margens elevadas e forte geração de caixa. Segundo análise da Terra Investimentos, esse desempenho operacional favorece a manutenção de dividendos relevantes, com expectativa de retorno atrativo para os acionistas. A corretora avalia que a empresa combina valuation atrativo, geração de caixa consistente e potencial de valorização no médio e longo prazo, fatores que justificam sua posição de destaque no ranking.
Axia Energia surge como novidade com valuation atrativo
Em segundo lugar no levantamento, a Axia Energia (AXIA3) recebeu indicações de seis corretoras e aparece também como líder nas recomendações gerais de ações para março. Com dividend yield de 11,88%, a empresa que sucedeu a Eletrobras em parte de seus ativos oferece, segundo a XP Investimentos, uma combinação atrativa de potencial para seguir se beneficiando do fluxo estrangeiro enquanto ainda negocia em níveis de valuations considerados interessantes. A inclusão da ação no portfólio de dividendos da XP em março reflete essa avaliação positiva sobre seu potencial de retorno.
Allos estabelece política mensal de remuneração até 2028
A Allos (ALOS3) aparece com cinco recomendações e dividend yield idêntico ao da Axia: 11,88%. A tese de investimento na companhia está ancorada em sua nova política de remuneração ao acionista, que prevê pagamentos mensais estimados entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por ação. De acordo com análise da Ágora Investimentos, essa política é sustentável até 2028, apoiada por R$ 2,1 bilhões em reservas de lucros e alavancagem controlada. Essa previsibilidade nos pagamentos torna a ação especialmente atrativa para investidores que buscam regularidade nos proventos.
Telefônica Brasil projeta resultados sólidos para 2026
Com quatro indicações e dividend yield de 4,52%, a Telefônica Brasil (VIVT3) mantém sua posição como uma das preferidas para carteiras de dividendos. O Santander continua otimista com a ação, esperando que a empresa apresente resultados sólidos em 2026, além de ver potenciais revisões altistas no lucro por ação e nos dividendos ainda este ano. O banco avalia que o papel negocia em valuation considerado razoável, mesmo após o forte desempenho acumulado no ano, indicando que ainda há espaço para valorização.
BB Seguridade beneficia-se do ambiente de juros elevados
A BB Seguridade (BBSE3), também com quatro recomendações, apresenta dividend yield de 11,98%. A Terra Investimentos destaca que o ambiente atual de juros elevados contribui para os resultados financeiros da companhia e reforça sua rentabilidade. A corretora ressalta ainda que a política consistente de dividendos mantém o papel atrativo para investidores focados em renda, especialmente em um contexto onde a busca por proteção contra a inflação se intensifica.
Cury oferece retorno sobre patrimônio líquido robusto
A ação da construtora Cury (CURY3) representa uma oportunidade de carrego considerada atrativa pelo Santander, que destaca seu sólido crescimento dos lucros. Com dividend yield de 20,69% – o mais elevado entre as sete ações listadas – e Retorno Sobre Patrimônio Líquido (ROE) robusto de 80% esperado para 2026, a empresa chama atenção pelo seu potencial de remuneração. O banco avalia que a ação possui valuation atraente considerando as perspectivas de crescimento, combinando assim potencial de valorização com pagamento generoso de dividendos.
Copel cumpre metas pós-privatização com nova política de dividendos
Completando a lista, a Copel (CPLE3) também recebeu quatro recomendações e apresenta dividend yield de 13,72%. Segundo análise do BTG Pactual, a companhia vem cumprindo consistentemente suas metas pós-privatização, com o pagamento de dividendos sob a nova política aprovada no início deste ano representando um fator positivo adicional. O banco destaca ainda que a empresa se beneficia dos preços mais altos da energia, dada sua posição não contratada para os próximos anos no segmento de geração, o que deve contribuir para seus resultados futuros.
O desempenho do mercado de dividendos tem se mostrado resiliente mesmo em períodos de maior volatilidade. Nos últimos 12 meses, o IDIV – índice que reflete o desempenho médio das ações pagadoras de dividendos – gerou rentabilidade de 49,12%, superando muitos outros indicadores do mercado brasileiro. Essa performance reforça o apelo desses ativos para investidores que buscam combinar renda recorrente com potencial de valorização, especialmente em um contexto econômico marcado por incertezas globais e pressões inflacionárias.
A diversificação setorial entre as ações recomendadas é um aspecto notável do levantamento, com representantes do setor de energia (Petrobras, Axia, Copel), shoppings (Allos), telecomunicações (Telefônica Brasil), seguros (BB Seguridade) e construção civil (Cury). Essa variedade permite que investidores montem carteiras balanceadas que reduzem riscos específicos de cada setor enquanto mantêm o foco na geração de proventos. As análises das corretoras destacam não apenas os dividend yields atrativos, mas também fundamentos empresariais sólidos, políticas de remuneração sustentáveis e valuations considerados justos ou abaixo do valor justo.
Para investidores interessados em montar uma carteira focada em dividendos, especialistas recomendam atenção a alguns critérios além do yield imediato. A sustentabilidade dos pagamentos, avaliada através da saúde financeira da empresa, seu fluxo de caixa e nível de endividamento, é considerada mais importante do que o percentual pago em um único ano. Da mesma forma, o histórico de pagamentos e a política de dividendos formalmente estabelecida pela empresa oferecem maior segurança sobre a continuidade dos proventos. A combinação entre yield atrativo e potencial de valorização do preço das ações também merece consideração, pois pode gerar retornos totais mais expressivos ao longo do tempo.
O mercado brasileiro tem mostrado maturidade crescente em relação às políticas de remuneração aos acionistas, com cada vez mais empresas estabelecendo regras claras e previsíveis para distribuição de dividendos. Essa evolução tem atraído tanto investidores institucionais quanto pessoas físicas que buscam complementar sua renda ou reinvestir os proventos para acelerar o crescimento de seu patrimônio. As sete ações destacadas no levantamento representam diferentes perfis de risco e retorno, permitindo que cada investidor escolha aquelas que melhor se adequam a seus objetivos e tolerância a volatilidade.
Enquanto o cenário macroeconômico continua apresentando desafios, com pressões inflacionárias e incertezas globais influenciando as decisões de investimento, as ações com histórico consistente de pagamento de dividendos mantêm seu apelo como portos relativamente mais seguros. A capacidade dessas empresas de gerar caixa mesmo em ambientes desafiadores, combinada com políticas de distribuição que priorizam os acionistas, cria um círculo virtuoso que atrai capital e contribui para a estabilidade de seus preços no mercado. Essa dinâmica reforça o papel estratégico que os dividendos desempenham na construção de patrimônio de longo prazo, especialmente para investidores que valorizam a previsibilidade dos retornos em meio à volatilidade natural dos mercados financeiros.

