OpenAI acumula prejuízo operacional de US$ 20,9 bilhões em 2025

Empresa de inteligência artificial queima caixa com P&D e pagamentos à Microsoft, enquanto busca lucratividade até 2030.

Demonstrações financeiras auditadas mostram receita de US$ 13 bi e custos operacionais de US$ 34 bi em 2025.
Destaques
  • A OpenAI pagou US$ 10,59 bilhões à Microsoft em 2025, valor equivalente a 81% de toda a receita anual.
  • Os gastos com pesquisa e desenvolvimento superaram a receita total da empresa, alcançando US$ 19,18 bilhões em 2025.
  • Apenas 50 milhões dos 900 milhões de usuários semanais do ChatGPT são assinantes pagantes, uma taxa de conversão de 5%.

A OpenAI, uma das empresas mais comentadas do setor de inteligência artificial, acumulou prejuízo operacional de US$ 20,92 bilhões em 2025. O número, que impressiona pela magnitude, foi obtido a partir de demonstrações financeiras auditadas e revela uma realidade contrastante com o crescimento de receitas, que atingiram US$ 13,07 bilhões no mesmo período. Os documentos, preparados para a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) antes de uma aguardada oferta pública inicial de ações (IPO), pintam um quadro de uma empresa que queima caixa em ritmo acelerado para dominar o mercado de inteligência artificial.

Crescimento explosivo de receita esbarra em custos bilionários

As receitas da OpenAI saltaram de US$ 3,7 bilhões em 2024 para US$ 13,07 bilhões em 2025, um crescimento de mais de 250% em um único ano. O Financial Times, que revisou os documentos financeiros, aponta que as receitas mensais da companhia chegaram a aproximadamente US$ 2 bilhões ao final de 2025. Esse ritmo de expansão indica uma taxa de crescimento contínua, mas que ainda assim não consegue acompanhar a voracidade dos gastos. A empresa pagou US$ 10,59 bilhões exclusivamente à Microsoft em 2025, um valor que por si só já representa cerca de 81% de toda a receita anual.

Pesquisa e desenvolvimento: o poço sem fundo da OpenAI

Os gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) são o principal motor do déficit. Eles passaram de US$ 7,81 bilhões em 2024 para US$ 19,18 bilhões em 2025, superando a receita total da companhia nos dois últimos anos. Esse montante reflete o custo astronômico de treinar novos modelos de inteligência artificial e, principalmente, de mantê-los em operação. Os custos de receita, que incluem o dinheiro gasto na produção e distribuição do produto, cresceram de US$ 2,65 bilhões para US$ 7,5 bilhões no mesmo período. Essa categoria é fortemente impactada pelas despesas computacionais no chamado tempo de inferência, quando os modelos processam as solicitações dos mais de 900 milhões de usuários ativos semanais do ChatGPT.

Prejuízo líquido e o efeito contábil da reestruturação

O prejuízo líquido da empresa apresenta um número ainda mais alarmante: saltou de pouco mais de US$ 5 bilhões em 2024 para quase US$ 39 bilhões em 2025. No entanto, esse valor inclui um encargo contábil significativo de aproximadamente US$ 30 bilhões. Esse montante, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto citada pelo Financial Times, está relacionado a mudanças na avaliação de investidores durante a conversão da OpenAI para uma estrutura com fins lucrativos. Sem essa contabilização não recorrente, o prejuízo líquido de 2025 seria de US$ 8 bilhões, um número ainda expressivo, mas que contextualiza melhor a saúde financeira recorrente da empresa.

As perdas operacionais, quando medidas como percentual das receitas, apresentaram uma leve melhora, caindo de 237% em 2024 para 160% em 2025. Apesar da melhora percentual, o valor absoluto do prejuízo operacional quase triplicou, evidenciando que a escala dos negócios cresce em um ritmo que ainda não é suficiente para cobrir a estrutura de custos.

Estratégia de mercado e o foco em usuários pagantes

Em meio a esse cenário financeiro, a OpenAI busca convencer investidores de que alcançará lucratividade até 2030. A empresa captou US$ 122 bilhões em uma rodada de financiamento em março de 2026, que a avaliou em US$ 852 bilhões. Para isso, a estratégia está mudando. A CEO de Aplicações da OpenAI, Fidji Simo, informou aos funcionários que a empresa reduziria as missões secundárias para se concentrar nos principais usuários de codificação e negócios. Atualmente, dos mais de 900 milhões de usuários ativos semanais do ChatGPT, apenas cerca de 50 milhões são assinantes pagantes, o que representa uma taxa de conversão de pouco mais de 5% que a empresa precisa urgentemente aumentar.

O que fica claro é que a OpenAI opera em um modelo de negócios de altíssimo risco e alta recompensa. A empresa aposta que o investimento maciço em P&D e infraestrutura criará um fosso competitivo intransponível, enquanto o mercado de IA generativa se expande. Até lá, a companhia continuará a acumular perdas operacionais bilionárias, financiadas por investidores que acreditam que o futuro da tecnologia vale o custo do presente.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.