A Generali retomou oficialmente a comercialização de seguro viagem em 4 de setembro de 2026, após a Superintendência de Seguros Privados (Susep) suspender cautelarmente o ramo em agosto. A decisão do órgão regulador veio na esteira de irregularidades identificadas na venda de apólices e no processamento de sinistros, envolvendo o modelo de remuneração da representante Hero MGA. A seguradora afirmou ter cumprido todas as determinações da autarquia e implementado uma revisão nos controles e na supervisão de seus parceiros.
O que motivou a suspensão do seguro viagem Generali?
Em 26 de agosto, a Susep determinou a suspensão cautelar das operações de seguro viagem da Generali. A medida não afetou os demais seguros da companhia, como automóvel, vida ou residencial. A fiscalização apontou que o modelo de remuneração da Hero MGA, representante da seguradora, estava atrelado diretamente ao resultado financeiro da operação. Essa estrutura, na visão da autarquia, criava um incentivo perverso: quanto menos sinistros fossem pagos ou quanto menor o valor das indenizações, maior o ganho do parceiro. Isso poderia comprometer o tratamento justo dos segurados e a análise adequada de cada sinistro.
Irregularidades na análise e no pagamento de sinistros
Além do modelo de remuneração, a Susep identificou problemas concretos na comercialização das apólices e no processo de regulação de sinistros. Embora a nota oficial da seguradora não detalhe cada irregularidade, a suspensão cautelar indica que havia risco iminente de danos aos consumidores. A Generali, em comunicado à imprensa, informou que o episódio levou a uma revisão completa dos critérios, controles e supervisão aplicáveis aos parceiros que atuam em seu nome, reforçando os padrões regulatórios e de governança que, segundo a empresa, sempre estiveram presentes em seus mais de 100 anos de atuação no Brasil.
Retomada das operações e compromissos assumidos
A retomada ocorreu após manifestação formal da Susep, o que significa que a Generali comprovou o atendimento às exigências. A companhia reafirmou o compromisso com a conformidade, a transparência e a evolução contínua dos processos. Do ponto de vista técnico, a recorrência de suspensões cautelares em seguradoras de grande porte acende um alerta para o mercado: o modelo de terceirização de canais de distribuição e a remuneração vinculada a resultados precisam de amarras contratuais mais rígidas e de auditoria independente.
Para o consumidor brasileiro que contrata um seguro viagem, a lição é clara: verificar se a seguradora está regular junto à Susep e ler atentamente as condições gerais, especialmente no que diz respeito a prazos de carência, coberturas e procedimentos para acionar o seguro. A Generali, uma das marcas mais tradicionais do setor, agora opera sob vigilância mais estreita — e a revisão de seus controles deve servir como referência para todo o ecossistema de seguros no país.

