Furto de celulares cresce 0,9% e expõe risco financeiro para o consumidor

Com alta de 0,9% em 2025, furto de celulares já representa 61% dos casos e exige novas estratégias de proteção financeira.

Furto de celulares cresce 0,9% enquanto roubos caem 18,6%, revelando mudança no perfil do crime no Brasil.

O celular se consolidou como a principal ferramenta de acesso à vida digital do brasileiro. Dentro de um único aparelho estão contas bancárias, documentos oficiais, aplicativos de trabalho, carteiras digitais e chaves de autenticação multifator. Quando ocorre um furto de celulares, a perda vai muito além do hardware — compromete a renda, a identidade digital e pode abrir caminho para fraudes financeiras de grande impacto. Os números mais recentes mostram que, embora o total de ocorrências tenha recuado, o furto — modalidade silenciosa e sem violência — segue em alta e expõe uma lacuna crítica de proteção para o consumidor.

Furto de celulares avança 0,9% enquanto roubos recuam

Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 830.890 celulares roubados ou furtados em 2025. O número representa uma queda de 9% em relação aos 909.753 casos de 2024. No entanto, a composição dos dados revela uma dinâmica preocupante. Os roubos — caracterizados pelo uso de violência ou ameaça — caíram 18,6%, passando de 377.787 para 308.723. Já os furtos, que ocorrem sem que a vítima perceba imediatamente, cresceram 0,9%, saltando de 477.326 para 483.561.

Isso significa que o furto já representa 61% de todas as ocorrências de subtração de celulares no país. O avanço de 0,9% adicionou mais de 6 mil casos às estatísticas em apenas um ano — uma média de aproximadamente 1.325 registros por dia em 2025. A alta, ainda que modesta em termos percentuais, indica que a modalidade se consolida como a principal ameaça, especialmente em locais de grande circulação, como transporte público, terminais rodoviários, estações de metrô e grandes centros comerciais.

Por que o furto é mais perigoso que o roubo para a segurança digital

Quando um celular é roubado com violência, a vítima percebe a perda imediatamente e pode tomar providências como bloquear a linha, contas bancárias e aplicativos em questão de minutos. No furto, o aparelho desaparece sem alarde — muitas vezes a vítima só nota horas depois, quando o criminoso já teve tempo de acessar dados, realizar transferências ou instalar malwares para capturar senhas. Esse atraso é crítico. Aplicativos bancários que exigem apenas senha numérica ou biometria cadastrada podem ser acessados se o aparelho estiver desbloqueado ou se as credenciais estiverem salvas.

Além do dispositivo físico, o criminoso busca os dados armazenados: contatos, e-mails, tokens de autenticação, fotos de documentos e senhas salvas em navegadores. Com essas informações, é possível aplicar golpes contra a própria vítima ou contra terceiros usando engenharia social. Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha, realizada em março de 2026, revelou que 78,8% da população teme ter o celular roubado ou furtado, enquanto o receio de sofrer golpes pela internet ou pelo telefone chega a 83,2%. Os números mostram que o medo não é irracional — a exposição digital cresce na mesma proporção da dependência do aparelho.

O impacto financeiro real sobre o consumidor brasileiro

A pesquisa Expansão de seguros inclusivos em comunidades periféricas, realizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pelo Instituto Locomotiva, traça um retrato delicado do orçamento familiar. Entre os entrevistados, 60% afirmaram já ter tido o celular levado ou conviver com alguém que passou por essa situação sem conseguir comprar outro imediatamente. O dado ganha contornos mais graves quando se observa a situação financeira geral: 53% das famílias não cobrem todas as despesas básicas do mês, 36% pagam as contas sem nenhuma sobra e apenas 11% terminam o período com algum recurso disponível.

Para quem depende do celular para trabalhar — seja recebendo pedidos, atendendo clientes, realizando cobranças ou acessando plataformas de entrega —, a reposição inesperada pode exigir endividamento ou o desvio de recursos que seriam destinados a alimentação, transporte e moradia. O prejuízo inclui também dias ou semanas de renda comprometida enquanto o aparelho não é substituído. Nesse cenário, o valor do dispositivo é apenas uma parte da conta; o custo da interrupção das atividades profissionais pode superar em muito o preço do hardware.

Seguro celular e seguro Pix: camadas complementares de proteção

A resposta ao furto de celulares exige uma abordagem em duas frentes. A primeira é técnica e imediata: bloquear o aparelho pela operadora, desativar contas bancárias, revogar tokens de acesso e trocar senhas de serviços digitais. A segunda é financeira e preventiva: contratar seguros que cubram tanto a reposição do equipamento quanto os danos causados pelo uso fraudulento dos dados.

Para Sidemar Spricigo, presidente da Comissão de Seguros Gerais Afinidades da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), a ampliação do risco exige uma visão integrada. “O celular concentra hoje patrimônio, renda e acesso à vida financeira. Quando ele é levado, o prejuízo pode ir muito além do valor do equipamento. O seguro para celular e o seguro contra golpes bancários, conhecido como seguro Pix, oferecem camadas complementares de proteção: o primeiro pode amparar a reposição do aparelho; o segundo, prejuízos decorrentes do uso fraudulento de aplicativos bancários ou de transferências sob coação, sempre nas situações previstas na apólice. É uma proteção que acompanha o consumidor no dia a dia e ajuda a preservar o orçamento familiar”, afirma.

O que cobre cada modalidade

No seguro celular, a cobertura pode incluir roubo, furto qualificado e danos acidentais, conforme o plano contratado. É importante verificar se a apólice cobre furto simples — quando o aparelho é levado sem arrombamento ou violência —, pois essa é a modalidade mais comum entre as ocorrências atuais. Já o seguro Pix prevê indenização para transferências realizadas sob coação, como em situações de ameaça, roubo ou sequestro, além de modalidades específicas de fraude eletrônica. A proteção não é automática para todo tipo de golpe ou transferência voluntária: eventos cobertos, limites de indenização e exclusões variam entre as apólices.

Como escolher a proteção adequada antes de contratar

Antes de adquirir qualquer seguro, o consumidor deve comparar prêmio, franquia, critérios de indenização, eventual depreciação do aparelho, documentos exigidos para a contratação e exclusões. Furto simples e furto qualificado, por exemplo, podem receber tratamentos diferentes dependendo da seguradora. Também é fundamental considerar o valor e o tempo de uso do celular, além do papel que ele desempenha na rotina profissional e educacional. Um corretor de seguros pode auxiliar na escolha da cobertura mais adequada ao perfil de cada usuário.

O seguro não impede o crime nem substitui os cuidados de segurança digital — como usar autenticação em duas etapas, manter o sistema atualizado, evitar redes Wi-Fi públicas não seguras e nunca salvar senhas bancárias no aparelho. Mas ele pode reduzir significativamente o impacto de uma perda repentina e evitar que o consumidor tenha de absorver sozinho um prejuízo capaz de desorganizar o orçamento familiar por meses.

O avanço do furto de celulares como principal modalidade de subtração no Brasil não é apenas um dado estatístico. É um sintoma de como a segurança patrimonial e a segurança digital se tornaram faces da mesma moeda. Enquanto as políticas públicas e as tecnologias de rastreamento e bloqueio evoluem, cabe ao consumidor entender que proteger o aparelho é também proteger sua identidade, sua renda e sua vida financeira — e que o seguro, longe de ser um custo extra, é uma ferramenta de planejamento em um cenário onde o risco nunca foi tão alto.

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