O cenário político paranaense para as eleições de 2026 já começa a desenhar contornos mais nítidos, e os dados da mais recente pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta sexta-feira (28), apontam para uma consolidação de forças no campo da direita. O senador Sergio Moro (PL) dispara na liderança da disputa pelo governo do estado, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, representado por seu filho Flávio Bolsonaro (PL), também aparece à frente na corrida presidencial dentro do Paraná, superando o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com folga. Os números, coletados presencialmente entre os dias 24 e 27 de março, refletem não apenas a popularidade dos nomes, mas também a eficácia das estratégias de comunicação e a rejeição consolidada em torno de determinadas candidaturas.
Moro lidera com folga no primeiro turno estadual
Na simulação para o governo do Paraná, Sergio Moro alcança 35% das intenções de voto no primeiro turno, uma vantagem robusta de 12 pontos percentuais sobre o segundo colocado, o deputado federal Sandro Alex (PSD), que marca 23%. O deputado estadual Requião Filho (PDT) aparece em terceiro, com 20%, tecnicamente empatado com Sandro Alex dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores presencialmente, com índice de confiança de 95% e registros TSE BR-09275/2026 e PR 07171/2026, o que confere solidez metodológica aos dados.
O desempenho de Moro no segundo turno é ainda mais expressivo. Contra Sandro Alex, o senador venceria por 44% a 32%. Já em um confronto direto com Requião Filho, a vantagem se amplia para 54% a 27%, indicando um alto potencial de transferência de votos e uma rejeição consolidada ao nome do PDT. Esse cenário sugere que, caso a eleição se polarize entre Moro e um nome de centro-esquerda, a vitória do ex-juiz da Lava Jato é quase certa, a menos que haja uma virada radical na campanha.
Disputa ao Senado e corrida presidencial no estado
Para o Senado, o ex-procurador Deltan Dallagnol (PL), que ainda tenta reverter sua inelegibilidade na Justiça Eleitoral, lidera com 20% das intenções, seguido por Alexandre Curi (Republicanos) com 18% e Filipe Barros (PL) com 17%. A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) aparece com 15%, e Cristina Graeml (PSD) fecha o pelotão com 14%. A diferença apertada entre os primeiros colocados indica que a definição da vaga ao Senado está longe de ser resolvida, e o eleitorado paranaense parece estar distribuindo seus votos de forma mais fragmentada nessa disputa.
No cenário presidencial, Flávio Bolsonaro lidera com 44% no primeiro turno, contra 30% de Lula. O deputado Renan Santos (Missão), Pablo Marçal (PRTB) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem empatados com 4% cada, seguidos por Romeu Zema (Novo) com 2% e Augusto Cury (Avante) com 1%. No segundo turno, a vantagem de Flávio sobre Lula se mantém expressiva: 52% a 34%. Esses números indicam que o Paraná continua sendo um dos principais redutos eleitorais do bolsonarismo, com uma rejeição ao petismo que ultrapassa os 50%.
Metodologia e contexto da pesquisa
A pesquisa foi realizada presencialmente, com 1.600 entrevistas distribuídas entre os dias 24 e 27 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%. Os registros no TSE são BR-09275/2026 e PR 07171/2026. É importante destacar que a pesquisa capturou o momento imediatamente posterior ao início oficial da campanha eleitoral, mas ainda sem a exposição maciça de propaganda no rádio e na TV, o que pode alterar as intenções de voto nas próximas semanas.
O cenário traçado pela Real Time Big Data reforça a percepção de que o Paraná se consolida como um estado de forte tendência conservadora, com a família Bolsonaro e seus aliados diretos dominando as principais disputas. Para Moro, a vantagem atual é confortável, mas não garante vitória no primeiro turno, já que a soma das intenções de voto dos adversários (Sandro Alex e Requião Filho, juntos, somam 43%) ultrapassa seus 35%. A partir de agora, a estratégia de campanha será crucial para definir se o senador conseguirá transformar essa liderança em uma vitória já no primeiro turno ou se precisará de uma segunda rodada para confirmar o favoritismo.

