A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) avalia incluir um biomaterial produzido por impressão 3D no rol de procedimentos e eventos em saúde, com aplicação direta no tratamento de feridas crônicas. A iniciativa ganhou destaque após um estudo desenvolvido por um aluno do Hospital Israelita Albert Einstein, que se inspirou na condição de saúde do próprio avô, portador de diabetes, para pesquisar uma solução mais eficaz para lesões de difícil cicatrização.
O que é o biomaterial 3D e como pode ajudar pacientes com feridas crônicas
O biomaterial em avaliação é um curativo bioativo produzido por manufatura aditiva, ou seja, impressão tridimensional. Ele é projetado para estimular a regeneração tecidual em feridas que não cicatrizam dentro do esperado, como úlceras vasculares, lesões por pressão e, principalmente, úlceras do pé diabético. Essas condições atingem milhares de brasileiros e representam um dos maiores desafios no cuidado de pacientes com diabetes, podendo levar a infecções graves e amputações.
O diferencial do material está na sua composição e estrutura. Por ser fabricado sob medida para cada tipo de lesão, o biomaterial 3D pode liberar fatores de crescimento de forma controlada, criando um ambiente mais favorável à cicatrização. Se aprovado pela ANS, o produto passará a ser um dos procedimentos cobertos pelos planos de saúde, o que representaria um avanço significativo no acesso a tecnologias inovadoras no sistema suplementar.
Como funciona a inclusão de novos procedimentos no rol da ANS
O rol de procedimentos e eventos em saúde é a lista de consultas, exames, cirurgias e tratamentos que os planos de saúde são obrigados a oferecer aos seus beneficiários. A ANS atualiza essa lista periodicamente, com base em evidências científicas, custo-efetividade e impacto na qualidade de vida dos pacientes. A inclusão de um novo procedimento passa por uma análise técnica rigorosa, que envolve consulta pública e avaliação de especialistas.
No caso do biomaterial 3D, a agência está na fase de análise das evidências apresentadas pelo estudo do Einstein. Se a tecnologia for considerada segura e eficaz, e houver demonstração de benefício clínico relevante, ela poderá ser incorporada ao rol, garantindo cobertura obrigatória para todos os planos de saúde contratados a partir da data da publicação da atualização.
O que significa o biomaterial 3D para quem tem plano de saúde?
Para o consumidor brasileiro, a possível inclusão do biomaterial 3D no rol representa a chance de ter acesso a um tratamento avançado sem custo extra além da mensalidade do plano. Atualmente, muitas tecnologias para feridas crônicas dependem de liberação administrativa ou judicial, ou são oferecidas apenas em serviços públicos de referência. Com a cobertura obrigatória, o paciente pode solicitar o procedimento diretamente à operadora, desde que haja indicação médica e o tratamento esteja dentro das diretrizes estabelecidas pela ANS.
O que verificar no seu plano de saúde
Enquanto a avaliação da ANS não é concluída, é importante que beneficiários com feridas crônicas ou diabetes conheçam os direitos já existentes:
- Cobertura atual: consulte o rol vigente da ANS para verificar quais curativos especiais e tecnologias de cicatrização já são cobertos.
- Indicação médica : o tratamento deve ser prescrito por um médico assistente, com justificativa clínica detalhada.
- Prazo de carência : se o plano foi contratado recentemente, pode haver carência para procedimentos de alta complexidade. Verifique seu contrato.
- Portabilidade : se o plano atual não cobre adequadamente seu tratamento, você pode avaliar a portabilidade para outra operadora, desde que cumpra os prazos e regras da ANS.
A decisão sobre o biomaterial 3D ainda não tem data definida, mas o simples fato de a ANS estar analisando a tecnologia sinaliza um movimento de atualização do rol para incorporar inovações que podem mudar a vida de pacientes com feridas crônicas. Acompanhe as consultas públicas e as atualizações oficiais da agência para saber quando a cobertura entrar em vigor.

