A XP Investimentos reforçou sua aposta no Santander Brasil (SANB11). Em relatório divulgado recentemente, a corretora manteve a recomendação de compra para o papel, com um preço-alvo de R$ 44, o que representa um potencial de alta de 45,9% em relação ao preço de fechamento de uma segunda-feira recente. A decisão veio após uma reunião entre analistas da XP e a alta administração do banco, que reafirmou a estratégia centrada em rentabilidade e eficiência.
Disciplina de crédito e foco em segmentos rentáveis sustentam otimismo
O encontro serviu para consolidar a visão positiva da XP sobre o Santander. Os analistas destacaram que a confiança é sustentada por três pilares principais: uma disciplina rigorosa na concessão de crédito, um foco estratégico em segmentos de clientes considerados mais rentáveis e um compromisso contínuo com a eficiência operacional. A administração do banco deixou claro que sua ambição central é entregar um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) sustentável acima de 20% no médio prazo, uma meta que norteia todas as suas decisões.
Estratégia de crescimento prioriza receitas e controle de custos
Para alcançar esse objetivo de rentabilidade, o plano do Santander para os próximos anos é baseado em um crescimento sólido de receitas combinado a um controle rígido de despesas. A instituição financeira pretende manter o avanço de seus custos operacionais abaixo da inflação, uma manobra que, se bem-sucedida, reforçaria sua alavancagem operacional e daria mais fôlego à expansão da margem de lucro. Essa dinâmica de custos controlados versus receita em crescimento é vista como um motor fundamental para a geração de valor.
Mudança no portfólio de crédito para melhorar retorno sobre o capital
Um dos movimentos estratégicos mais comentados é a realocação da carteira de crédito. O Santander está concentrando seus esforços de crescimento em segmentos considerados mais atrativos, como clientes de alta renda, pequenas e médias empresas (PMEs) e companhias do chamado middle market. A expectativa é que a expansão do crédito nessas áreas ocorra em ritmo de dois dígitos. Em contrapartida, o banco vem reduzindo deliberadamente sua exposição ao segmento de baixa renda, que atualmente representa entre 13% e 14% do portfólio total. Essa estratégia busca liberar capital, melhorar a eficiência no uso de ativos ponderados pelo risco e realocar recursos para operações que oferecem um perfil de retorno ajustado ao risco mais favorável.
Agenda de receitas recorrentes ganha destaque no planejamento
Além da gestão do crédito, a administração do Santander destacou uma agenda voltada para ampliar fontes de receita mais previsíveis e estáveis. O foco está no crescimento de tarifas e comissões a um ritmo superior ao das despesas operacionais. Na avaliação dos analistas da XP, essa dinâmica é crucial, pois permite que o banco expanda seu lucro líquido sem necessariamente aumentar de forma significativa seu apetite ao risco. Uma base de receita recorrente mais robusta proporciona maior resiliência em diferentes cenários econômicos.
Transição de liderança no comando é vista como processo de continuidade
Um evento corporativo que poderia gerar incertezas – a troca no comando da operação brasileira – foi interpretado pela XP como um processo de continuidade. Recentemente, o Santander confirmou que seu presidente, Mario Leão, deixará o cargo até julho, após quatro anos à frente do banco. Ele será substituído por Gilson Finkelsztain, atual CEO da B3, a bolsa de valores brasileira. A corretora avaliou que essa transição não representa uma ruptura estratégica. O relatório afirma que o plano do Santander já está bem definido e que a prioridade do novo comando seguirá sendo a execução consistente das estratégias que já haviam sido estabelecidas, com o foco inabalável na rentabilidade.
A reiteração da recomendação de compra pela XP Investimentos, acompanhada de um preço-alvo ambicioso, reflete uma crença de que o Santander Brasil está no caminho certo. A combinação de disciplina operacional, foco em segmentos lucrativos, controle de custos e uma transição de liderança suave parece ter convencido os analistas de que o banco tem os ingredientes para entregar o retorno robusto prometido aos acionistas nos próximos anos. O mercado agora observará se a execução prática conseguirá corresponder ao otimismo dos planos apresentados.

