O mercado de criptomoedas enfrenta volatilidade no início do ano, com o Bitcoin registrando cinco meses consecutivos de queda, uma sequência incomum para o ativo digital. Apesar do cenário desafiador, analistas de grandes exchanges brasileiras mantêm otimismo quanto à recuperação do setor, apontando oportunidades específicas para o mês de março. Um levantamento exclusivo do InfoMoney, compilando as carteiras recomendadas pelas principais casas de cripto do país, revela que Solana (SOL), Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) lideram as indicações, enquanto dois ativos menos conhecidos do grande público também ganham destaque entre os especialistas.
Solana lidera recomendações apesar de volatilidade recente
Com sete indicações de diferentes exchanges, a Solana aparece como a criptomoeda mais recomendada para março, mesmo registrando queda de 9,09% nos últimos 30 dias. Guilherme Fais, head de finanças da NovaDAX, explica que o ativo costuma apresentar variações superiores à média do setor em períodos de maior apetite por risco. “A Solana permanece entre as altcoins com maior liquidez e presença em mercados futuros, características que a mantêm relevante mesmo em momentos de correção”, afirma Fais. A combinação entre alta velocidade de transações e custos reduzidos continua sendo o principal diferencial da blockchain, que vem recuperando espaço após os problemas de rede enfrentados em 2022.
Bitcoin mantém papel essencial nas carteiras de cripto
O Bitcoin recebeu seis recomendações, consolidando sua posição como ativo fundamental para qualquer investidor do setor. Valter Rebelo, head de cripto da Empiricus, destaca que os ETFs à vista e a adoção crescente por governos e empresas posicionam o BTC como principal beneficiário da onda de legitimação da tecnologia blockchain. “A regulação que está sendo construída nos Estados Unidos tende a favorecer ativos com maior maturidade institucional, e o Bitcoin está na dianteira desse movimento”, avalia Rebelo. Apesar da queda de 5% no último mês, os especialistas consideram o momento atual como oportunidade de entrada para investidores de longo prazo.
Ethereum se beneficia de expectativa com ETFs e retomada do DeFi
Com igual número de indicações que o Bitcoin, o Ethereum aparece como terceiro ativo mais recomendado. Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin, aponta que o aumento da liquidez no mercado cripto e a expectativa de novos fluxos institucionais impulsionados por ETFs sustentam a tese positiva para a moeda. “O fortalecimento da narrativa de reprecificação dos ativos de risco e a busca por blockchains estáveis e escaláveis também favorecem o Ethereum”, diz Szuster. O especialista destaca ainda a retomada de protocolos DeFi (aplicações descentralizadas) como fator adicional de valorização para a segunda maior criptomoeda do mercado.
Chainlink consolida liderança em infraestrutura de oráculos
Com três recomendações e desempenho positivo de 0,42% nos últimos 30 dias, a Chainlink (LINK) aparece como uma das surpresas entre os ativos mais indicados. Marcelo Person, Crypto Treasury & Markets Director da Foxbit, explica que a empresa segue como líder em infraestrutura de oráculos – sistemas que conectam blockchains a serviços externos. “A expansão de soluções voltadas para tokenização institucional e interoperabilidade entre redes reforça sua relevância estratégica”, afirma Person. Segundo o executivo, o papel da Chainlink tende a ganhar ainda mais destaque em um cenário de crescente integração entre finanças tradicionais e blockchain.
Hyperliquid apresenta desempenho superior em meio à correção
Outra revelação do levantamento é o Hyperliquid (HYPE), que também recebeu três indicações e registrou alta de 5,04% no período de 30 dias. André Franco, CEO da Boost Research, destaca que o token se destacou na correção recente, apresentando performance relativa superior à maioria das altcoins. “Enquanto houver volatilidade – e março ainda promete muita – o protocolo continua sendo muito rentável”, afirma Franco. O executivo reforça a tese central do projeto: “receita independe da direção do mercado”, referindo-se ao modelo de negócios do protocolo de derivativos descentralizados.
Análise setorial aponta para recuperação gradual em 2024
Marcelo Person, da Foxbit, oferece uma visão macro sobre o momento atual do mercado: “A combinação entre amadurecimento institucional, evolução regulatória e avanços tecnológicos segue sustentando a tese de longo prazo”. Para ele, os ativos que se destacam nas recomendações possuem não apenas potencial de valorização, mas também relevância estrutural no ecossistema cripto. Essa perspectiva é compartilhada por outras casas analisadas no levantamento, que incluem Mercado Bitcoin, Empiricus, Boost Research, Hurst Capital, NovaDAX, MEXC e Bitso.
Fatores regulatórios influenciam recomendações para o trimestre
As expectativas em torno da regulamentação de criptoativos nos Estados Unidos e em outras jurisdições importantes aparecem como fator comum nas análises das exchanges. A aprovação de ETFs de Bitcoin à vista já impactou positivamente o mercado, e a possibilidade de ETFs de Ethereum gera otimismo adicional. Paralelamente, o avanço na tokenização de ativos tradicionais e a interoperabilidade entre diferentes blockchains criam oportunidades específicas para projetos como Chainlink, que atuam na infraestrutura necessária para essas integrações.
A volatilidade que caracteriza o mercado de criptomoedas segue como desafio para investidores, mas também abre oportunidades de entrada em ativos fundamentais. As recomendações das principais exchanges brasileiras apontam para uma estratégia diversificada, combinando ativos consolidados como Bitcoin e Ethereum com projetos especializados em nichos específicos da economia digital. O desempenho diferenciado de ativos como Hyperliquid durante períodos de correção sugere que a sofisticação do mercado avança, com investidores buscando não apenas exposição geral ao setor, mas também oportunidades setoriais específicas dentro do ecossistema blockchain.

