Morte de Sicário encerra caso de hacker ligado a Vorcaro e esquema financeiro

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, principal cúmplice investigado nas operações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, morreu às 18h55 de sexta-feira, 6 de dezembro, no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. A confirmação do óbito foi divulgada pela defesa após o encerramento do protocolo de morte encefálica, iniciado por volta das 10h15 do mesmo dia. Sicário estava internado desde a quarta-feira, 4 de dezembro, após tentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia policial.

Investigações da PF revelam atuação em grupo criminoso

A Polícia Federal investigava Sicário como integrante de um grupo denominado “A Turma”, que também teria a participação de Daniel Vorcaro. De acordo com as apurações, ele atuava na coordenação de atividades voltadas para a obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados estratégicos para os interesses da organização. Sua função envolvia acesso a sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases da própria PF, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.

Hackeamento de sistemas e perseguição a críticos

As investigações detalham que Sicário realizava consultas e extrações ilegais de dados, além de participar de ações para remover conteúdos e perfis críticos ao grupo em plataformas digitais. O objetivo era tanto coletar dados de usuários quanto silenciar opositores. Ele também era apontado como coordenador de equipes responsáveis por ações ligadas ao Banco Master, atuando para intimidar ex-funcionários da instituição e levantar informações sobre alvos definidos pelo grupo.

Envolvimento em plano contra jornalista Lauro Jardim

Em uma das situações mais graves documentadas, Sicário participou de uma conversa com Daniel Vorcaro na qual o ex-banqueiro solicitou que organizasse um assalto e “desse um pau” no jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo. Esse episódio, registrado nas investigações, ilustra o nível de violência e o modus operandi do grupo, que não hesitava em planejar ataques contra figuras públicas que considerava adversárias.

Processo por pirâmide financeira de R$ 28 milhões em Minas Gerais

Além das investigações federais, Sicário respondia a uma ação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por suposta participação em um esquema de pirâmide financeira. Segundo a denúncia, o esquema movimentou aproximadamente R$ 28 milhões entre junho de 2018 e julho de 2021. Os valores eram triangulados por meio de contas bancárias de empresas ligadas a ele para atrair investidores, em uma operação caracterizada pelo MP como lavagem de dinheiro com ocultação de recursos de crimes contra a economia popular.

Papel central confirmado por análise de celular apreendido

No final do ano passado, o setor de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais analisou o celular apreendido de Sicário. O relatório técnico concluiu que ele exercia um papel de chefia na organização, coordenando a atuação dos integrantes e administrando atividades ilícitas. As conversas extraídas do aparelho, mesmo após tentativas de apagar mensagens, corroboravam as investigações em andamento, reforçando sua posição central na estrutura do grupo.

Atuação anterior como agiota e conexões com o crime

As investigações do MPMG também apuraram que, antes de integrar o suposto esquema financeiro, Sicário atuava como agiota. Essa trajetória criminal anterior ajuda a entender sua ascensão dentro da organização, combinando experiência em atividades ilícitas financeiras com habilidades de intimidação e coordenação logística que se tornaram valiosas para o grupo de Vorcaro.

Com a morte de Sicário, um dos principais elos investigativos do caso se rompe, deixando questões em aberto sobre a extensão total das operações de “A Turma” e as redes de influência que sustentavam suas atividades. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal para os procedimentos legais, enquanto as investigações sobre os demais envolvidos devem continuar, agora sem o depoimento de uma figura-chave que operava nas sombras do esquema.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.