Preso por golpe rouba US$ 290 mil em criptomoedas confiscadas pelos EUA

Preso por fraude em leilões online rouba criptomoedas confiscadas pelos EUA enquanto cumpria pena de 9 anos.

Rossen Iossifov movimentou US$ 290 mil em criptomoedas confiscadas com ajuda de terceiros, mesmo atrás das grades.
Destaques
  • Rossen Iossifov, já condenado a 111 meses de prisão, é acusado de roubar criptomoedas confiscadas judicialmente.
  • O esquema original lesou mais de 900 americanos e movimentou quase US$ 5 milhões em lavagem de dinheiro.
  • O caso alerta investidores brasileiros sobre a fiscalização de criptomoedas pela Receita Federal e a transparência da blockchain.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou, nesta quinta-feira (9), uma denúncia contra Rossen G. Iossifov, um cidadão búlgaro de 53 anos que já cumpria pena de 111 meses (cerca de 9 anos e 3 meses) de prisão por um esquema de fraude em leilões online. A nova acusação é de ter movimentado e roubado aproximadamente US$ 290 mil (cerca de R$ 1,48 milhão) em criptomoedas que estavam sob confisco judicial americano.

O Crime Dentro da Prisão: Como o Golpista Movimentou Criptomoedas Confiscadas

De acordo com o Departamento de Justiça, as autoridades haviam confiscado legalmente os ativos digitais de Iossifov, que estavam depositados em uma conta na corretora Kraken. A ordem judicial determinava a apreensão dos valores obtidos por meio de sua atividade criminosa. No entanto, entre janeiro e dezembro de 2024, mesmo atrás das grades, Iossifov teria conseguido acessar e transferir esses fundos com a ajuda de terceiros.

A operação envolveu a transferência das criptomoedas para outras exchanges e serviços de mixagem (tumblers), ferramentas utilizadas para ofuscar a origem e o destino das transações, dificultando o rastreamento na blockchain. Posteriormente, os ativos foram convertidos em moeda fiduciária e depositados em uma conta bancária no exterior.

Jason Parman, primeiro procurador-geral assistente dos EUA para o Distrito Leste de Kentucky, classificou a ação como um ataque direto à autoridade dos tribunais federais. “Tal conduta, se comprovada, demonstra uma tentativa calculada de enfraquecer o Estado de Direito e prejudicar os direitos das vítimas que já sofreram danos financeiros significativos”, afirmou. Robert Holman, agente especial do Serviço Secreto dos EUA em Louisville, complementou que a ação representa um desafio direto ao sistema de justiça e que os responsáveis serão responsabilizados.

O Esquema Original: Leilões Falsos e Lavagem de Dinheiro com Criptomoedas

Rossen Iossifov foi originalmente condenado a 121 meses de prisão (posteriormente reduzidos para 111 meses) por liderar um esquema de sites de leilão fraudulentos. Os criminosos anunciavam veículos e outros produtos inexistentes na internet. Ao receber o pagamento das vítimas, os valores eram convertidos em criptomoedas e os produtos nunca eram entregues.

A acusação revela que mais de 900 americanos foram lesados pelo esquema, que movimentou quase US$ 5 milhões em um processo sofisticado de lavagem de dinheiro. “Réus que ignoram ordens judiciais emitidas legalmente e partes de suas sentenças criminais em casos federais anteriores serão acusados por esse tipo de conduta obstrutiva”, destacou A. Tysen Duva, procurador-geral assistente da Divisão Criminal do Departamento de Justiça.

O Que Isso Significa para o Investidor Brasileiro?

O caso expõe um princípio fundamental para investidores em criptomoedas: a irreversibilidade e a pseudonimidade das transações, embora poderosas, não garantem o anonimato completo, especialmente quando confrontadas com a atuação coordenada de autoridades regulatórias e agências de investigação. Nos Estados Unidos, a Receita Federal (IRS) e o Serviço Secreto têm se tornado cada vez mais sofisticados no rastreamento de ativos digitais, mesmo quando estes passam por mixers e múltiplas exchanges.

Para o brasileiro que opera com criptomoedas, a mensagem é clara: a declaração correta dos ativos à Receita Federal do Brasil (RFB) não é apenas uma obrigação legal, mas uma prática de conformidade que evita complicações futuras. A Receita Federal brasileira, por meio da Instrução Normativa 1888/2019, exige a declaração de operações com criptoativos que ultrapassem o valor de R$ 30.000 em um único mês, além da posse desses ativos na declaração anual de Imposto de Renda.

O caso de Iossifov, que tentou burlar a ordem de confisco mesmo atrás das grades, reforça que a blockchain, por mais descentralizada que seja, não está imune à fiscalização e às consequências legais. A transparência do livro-razão público torna as transações permanentemente registradas, o que permite que investigadores, com os mandados judiciais adequados, reconstruam todo o fluxo de fundos.

Próximos Passos e Acompanhamento

Iossifov compareceu ao tribunal federal do Distrito Leste de Kentucky na última quarta-feira (8) para responder às novas acusações. O caso ainda está em andamento, e o investidor brasileiro deve acompanhar os desdobramentos como um exemplo da crescente capacidade regulatória sobre o mercado de criptomoedas. Mais do que uma notícia policial, trata-se de um alerta sobre a seriedade com que as autoridades, tanto nos EUA quanto no Brasil, tratam a movimentação e a ocultação de ativos digitais obtidos ou movidos em desacordo com a lei.

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